Quem sabe?
- Emily Luz

- 18 de mar. de 2020
- 1 min de leitura
Atualizado: 18 de mar. de 2020
As vezes pareço ter perdido o tato da escrita, ou, quem sabe, me habituei a não descrever.
Quem sabe perdi a fórmula, ou distanciei do saber. Talvez tenha me perdido nas palavras tentando entender o que iria dizer.

Várias explicações surgem em minha mente quando me pergunto porque parei, e pra dizer a verdade, nenhuma delas fazem sentido, simplesmente deixei. E não que eu goste disso, amo escrever e por pra fora as coisas, todavia isso me pareceu errado de tempos pra cá.
Devo talvez me por a prova e começar a falar ao invés de escrever, porém palavras audíveis nunca foram meu forte, pois me ouvir desabrochar em palavras ditas a ouvidos é quase suicidar-se em mar que dá pé.
Deixarei ainda então essa minha parte suicida desabrochar enquanto tento alcançar novamente a velha escrita. Até lá, o tempo há de dizer se pular onde dá pé é tentativa de sobrevivência ou de mera despedida de ser.
O mar terá tempo de se acalmar ou de ficar revolto, a maré terá tempo de encher-se, ou de alinhar-se sem muito sobre o chão.
A escrita terá tempo de voltar, ou partirá por completo. O som das palavras terá seu tempo de aumentar o tom, ou seguirá inaudível até perder todo o seu volume.
E eu seguirei a esperar por resposta de todos eles, até que enfim seja minha decisão e não de algum deles.




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